Condensado dos pontos principais apresentados pelos observatórios da EBP, NEL e EOL

Condensado dos pontos principais apresentados pelos observatórios da EBP, NEL e EOL

MónicaBiaggio. “Sem titulo”. Pastel. EOL- AMP

Ondina Machado
EBP – AMP

O trabalho de colegas da NEL constata a presença inegável da violência na vida cotidiana, ressaltando que a violência contra a mulher vem concentrando maior atenção social. Até então, esse Observatório deu especial atenção às mulheres que passam pela experiência de violência no contexto do conflito armado na Colômbia e Guatemala ou nas parcerias amorosas.

Observam que as instituições que trabalham com a questão tendem a vitimizar a mulher, reconhecendo, porém, ser esta a maneira pela qual, atualmente, é possível conseguir algum tipo de ajuda social para vítimas do conflito armado, especialmente na Colômbia. Em geral, as instituições partem do pressuposto que as mulheres estão em posição de vítimas quando se trata de violência. Esta observação é compartilhada pela experiência do Observatório sediado na EBP, como apresentado em relatórios anteriores. O movimento feminista e as instituições governamentais brasileiras, criadas para acolher estas mulheres, tendem a fazê-lo colocando-a na posição de vítima.

Como nos adverte o trabalho da EOL, trata-se de uma ideologia cuja origem está presente no movimento feminista e que sustenta a leitura da violência de gênero.   

Porém, no caso brasileiro, percebe-se que já existem equipes atentas ao prejuízo desta abordagem que, ao vitimizar, apagam o sujeito e impedem que responsabilidades possam ser assumidas. Ponto também enfatizado pela EOL quando defende a abordagem psicanalítica como uma lógica que privilegia o singular em contraste com a ideologia de gênero que se sustenta em categorias gerais encobrindo, assim, a singularidade presente no ato.

A EOL acrescenta que identificar, genericamente, o ser do homem à violência faz com que se tome o ser por seu ato, sem que sejam distinguidas nuances, inclusive patológicas. Desta unificação ideológica pode resultar uma condenação acéfala que fixa o homem como violento a priori.        

Os colegas da NEL reorientaram suas pesquisas para questionar se estas mulheres são vítimas de fatos traumatizantes ou vítimas do inconsciente. Neste sentido, o Observatório da EBP produziu estudos de casos que apontam para incidência de parcerias norteadas pela devastação feminina, sendo altamente prevalentes nos casos de violência na relação amorosa. Como observam os colegas do Observatório da EOL, há uma questão própria ao feminino que não pode ser desconsiderada.

Um trabalho apresentado por uma das colegas do Observatório nas últimas Jornadas Clínicas da EBP-Rio, examinou a articulação da fantasia feminina em ser a única para um homem como um importante fator que impede algumas mulheres de romperem o laço que as une ao agressor.   

Está claro, tanto para a o Observatório da NEL quanto para o da EBP, que a pesquisa somente avançará com um dedicado estudo sobre o gozo e suas formas de associação com a pulsão de morte, permitindo que a escuta não se feche na violência de gênero. A EOL propõe separar as categorias homem e mulher de suas singularidades para além dos gêneros, que o ato violento seja repensado sob o ponto de vista dos protocolos e legislações, separando ato e ser, assim como interrogar os dispositivos de proteção à vítima.  

A NEL também traz uma observação que pode ser aproveitada por nossos observatórios no que diz respeito à promoção de soluções singulares, seja pela participação em equipes multidisciplinares ou obtidas através de redes de apoio solidário.

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