APRESENTAÇÃO

Xu-shi , tramaMauricio Tarrab, Presidente da FAPOL (Fev 2014/Abr 2016)

O primeiro número de LACAN XXI chega a tempo para alcançar o acontecimento do Xº Congresso da AMP que se realiza neste momento no Rio de Janeiro. Essa coincidência é deliberada. LACAN XXI, que é Lacan no século XXI, é também Lacan na América.

Lacan e o século XXI têm em comum certo mistério: o de Lacan e o seu ensino que é tão explorado quanto inapreensível; tão complexo quanto simples; tão obscuro quanto luminoso nas suas consequencias clínicas; tão fechado que parece que dedicar-se somente aos labirintos da psicanálise, quanto aberto a seu tempo que é o nosso e sobre o qual Lacan formulou antecipações impactantes que se constituem em uma bussola preciosa com a qual nos orientamos em relação às lógicas coletivas e aos acontecimentos de nossa época.

O Século XXI, do qual às vezes falamos com uma certeza excessiva pretendendo saber de que se trata é, contudo, também um mistério. Recém se inicia e embora tenha mostrado suas marcas e suas tendências, seu desenvolvimento é imprevisível e ninguém pode afirmar que não seja mais sinistro que o século passado. Lacan dedicou a este tempo que ele não conheceu afirmações inquietantes e, como um dos textos de este primeiro número evoca, sem necessidade de ser “nada pessimista”. Lacan está no século XXI e apesar de todas as incógnitas que temos em relação ao futuro, os que trabalhamos ao redor da Orientação Lacaniana e na Associação Mundial de Psicanálise, sabemos que somos responsáveis por sustentar as consequências desse ensino na prática e na extensão da Psicanálise.

LACAN XXI é também Lacan na América. Inicialmente porque é a revista on-line da FAPOL, Federação Americana de Psicanálise da Orientação Lacaniana, que reúne as Escolas da Associação Mundial na América.

Uma América lacaniana como J. Lacan disse a seus leitores americanos em Caracas em um longínquo 1980: “Vocês serão lacanianos, eu sou freudiano”. E a América latina é lacaniana. A vigência e a pujança das três Escolas americanas da AMP – a EOL, a EBP e a NEL – que tem sedes da Argentina até os Estados Unidos o demonstram diariamente.

LACAN XXI é Lacan nos discursos e nas línguas e por esse motivo recolherá também, no litoral das línguas americanas, as diferenças, as bordas que nos unem e nos separam e por isso a Revista começa em seu primeiro número sendo ao menos bilíngue.

Isto requer um agradecimento especial ao Comitê de redação e tradução integrado por colegas das três Escolas: Oscar Reymundo (EBP), Silvina Rojas (EOL) e Adolfo Ruiz (NEL), os quais, junto com a cuidadosa edição do número, formaram uma excelente equipe de tradutores. A todos eles faço chegar o agradecimento do Bureau e o meu próprio: Lenita Bentes, Nohemí Brown, Paola Salinas, Maria Cristina Vignoli, Jussara Souza da Rosa, Leonardo Scofield, Pablo Sauce, Laura Fangmann, Silvina Molina, Marita Salgado, Prof. Dr. Gabriel Artur Marra e Rosa. Também um reconhecimento a Alejandra Korek e Adolfo Ruiz pela generosa contribuição das belas imagens incluídas na Revista.

O Bureau quis refletir, no conteúdo desta Revista, o interesse da FAPOL, tanto pela Psicanálise pura, ao incluir neste primeiro número um texto acerca da leitura e a interpretação de J-A Miller, quanto a complexa relação entre o Real da ciência e o da psicanálise, com a conferência do Presidente da AMP, Miquel Bassols. Queremos refletir, também, o interesse e a preocupação pela “ação lacaniana” com a publicação do relatório de um dos quatro Observatórios da FAPOL – neste caso o Observatório “A violência contra as mulheres em América Latina” – que constitui uma amostra do intenso e complexo trabalho que os Observatórios da FAPOL vêm fazendo de modo discreto durante estes dois anos e que começam a dar-se a conhecer. Vocês terão oportunidade de ler seis textos que foram apresentados na 1ª Conversação da Rede Universitária Americana (RUA), em São Paulo, em setembro último, que demonstram a importância que tem para nós, nesta época, criar nos universitários o interesse pela Psicanálise.

Na seção LACAN no SÉCULO XXI solicitamos a três colegas que fizessem o exercício de escolher uma frase de J. Lacan com a qual iluminar um fragmento do presente.

Agradeço Angelina Harari por ter aceitado a responsabilidade e o trabalho de lançar LACAN XXI. A Miquel Bassols e aos meus companheiros do Bureau da FAPOL, Flory Kruger e Jésus Santiago, por terem apoiado esta iniciativa. E a Jacques-Alain Miller por nos ter acompanhado nas idas e voltas que foram necessárias até encontrar o bom nome para o que a partir de hoje é LACAN XXI.

Lacan, assim como o século XXI, é também o que virá. O que nos falta saber, o que resta por descobrir. Lacan não é a história, mas o futuro da Psicanálise. Que seja assim dependerá também de nós.

Revista eletrônica da FAPOL

Federação Americana de Psicanálise

da Orientacão Lacaniana

VOL 6 – Outubro de 2018

ISSN 2618-4109

 

Diretor responsável:

Rômulo Ferreira da Silva

Assessora:

Angelina Harari – Presidente da AMP

Staff:

Graciela Allende

Silvina Rojas

Adolfo Ruiz

Cleide Pereira Monteiro

Jussara Jovita Souza Da Rosa

Equipe de tradução:

Maria Cristina Vignoli, Jussara Jovita Souza da Rosa,

Pablo Sauce, Flávia Cêra, Gustavo Ramos, Diego Cervelin,

Lenita Bentes, Mª Cristina Maia Fernandes,

Ruskaya Rodrigues Maia, Giovanna Bittar, Fred Stapazzoli, Laura Fangmann, Silvina Molina, Marita Salgado,

Ana Beatriz Zimmermann Guimarães.

Web designer:

Bruno Senna

Bureau da FAPOL:

Flory Kruger (Presidente)

Rômulo Ferreira da Silva (Secretário)

Cristina González de Garroni (Secretária)

Ilustração:

Seleção de Adolfo Ruiz, Graciela Allende,

e Silvina Rojas

Capa:

CAPA. Alejandra Koreck. EOL-AMP. “Der Spiegel”. Colagem

Difusão:

Mª Cristina Maia Fernandes