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2019 Volume 2


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Editorial

Thereza Salazar. “Cartas Celestes (inverno)”. São Paulo. Raquel Cors Ulloa - NEL-AMP Membro da Nueva Escuela Lacaniana (NEL) e da Associação Mundial de Psicanálise (AMP). Analista da Escola (AE) da Escola Una (2018-2021). Vice-presidente da NEL. Secretária do Bureau da FAPOL.  Este oitavo número de Lacan XXI chega como um sonho feito de palavras que, como tal, se lê. O leitor encontrará em cada um destes textos, uma similicadência de expressões que se aproximam do tema do XII Congresso da AMP: “O sonho. Sua interpretação e seu uso no tratamento lacaniano”. Trata-se de um retorno a Freud? Sim! Afirma contundentemente...

lacan21 10 de novembro de 2019

A diferença absoluta do sonho*

Elias Muradi. Detalhe da Obra “Paramento” 2018. Bronze fundido. Fot.: Beth Barone. São Paulo, SP Angelina Harari - Presidente da AMP  “Tenho todo o direito, tal como Freud, de compartilhar meus sonhos com vocês. Ao contrário dos de Freud, não estão inspirados pelo desejo de dormir. O que me move, muito mais, é o desejo de despertar. Mas, enfim, isso é particular”. Acabo de ler para vocês, a epígrafe do argumento do XII Congresso da AMP. Será este, meu ponto de partida para falar de seu tema: “O sonho. Sua interpretação e seu uso na cura lacaniana” O desejo de dormir...

lacan21 10 de novembro de 2019

O sonho. Sua interpretação e seu uso na CURA Lacaniana. ***

Theresa Salazar. “Territórios”, recorte em madeira. 2008 São Paulo. Silvia Baudini e Fabián Naparstek - EOL-AMP “Tenho todo o direito, tal como Freud, de compartilhar meus sonhos com vocês. Ao contrário dos de Freud, não estão inspirados pelo desejo de dormir. O que me move, muito mais, é o desejo de despertar. Mas, enfim, isso é particular” Introdução 1900 é o ano que marca o início da psicanálise. Freud publica “A interpretação dos sonhos”. Em 2020, 120 anos depois, estamos em nossa orientação – a orientação lacaniana –, centrando o eixo do XII Congresso da AMP em torno de “O sonho. Sua interpretação e...

lacan21 10 de novembro de 2019

O duro desejo de despertar

Sepia I. Artista Katia Wille. Acrílico sobre tela. Ano 2018.Série: “quem tem medo de tamanha liberdade?” Clara María Holguín - NEL-AMP Se “o despertar é impossível”, tal como Lacan demonstra em sua censura ao sonho da eternidade, segundo o qual se imagina despertar, a verificação desse impasse revela um “impossível” para a psicanálise, que lança questões, tanto para a prática quanto para a posição do analista. Como conceber a prática a partir desse impossível? Podemos nos inspirar nele? Quais são as consequências dessa marca? Uma prática contra a natureza A desestruturação do símbolo introduzida por Lacan em seu último ensino,...

lacan21 9 de novembro de 2019

O sonho e seu despertar, ainda…

Adolfo Ruiz Londoño. “Resto”. Fotografia. NEL-AMP Marcela Almanza - NEL-AMP  Falar do sonho, sua interpretação e seu uso na cura lacaniana convida-nos, como praticantes da psicanálise, a sustentar sua vigência e função sob transferência, no nível de cada uma das curas que dirigimos e poder extrair daí, as consequências pertinentes. Ponto de partida que leva a bordear a pergunta sobre como operar analiticamente, no um por um, no caso a caso, desde o início até o fim de uma análise, pois, colocar a prática pela via do sonho é um modo de fazer, se opondo à época atual e, assim,...

lacan21 9 de novembro de 2019

O insensato do sonho

“Espelho” Img.free. Diana Wolodarsky - EOL-AMP  Aconteceu este ano, uma mostra muito atrativa e convocadora no MALBA (Museu de Arte Latinoamericana de Buenos Aires), do artista plástico Leandro Erlich. Poucas vezes um artista  pôde atravessar o interesse da diversidade de gerações: adultos, jovens e crianças faziam longas filas de espera para entrar. Ninguém deixava de lado seu interesse em aceder a essa magia. O traço que o caracteriza em suas mostras é o de saber produzir um efeito de despertar, muito característico em sua obra. Vale-se, para isso, de estudos óticos, matemáticos e de perspectivas geométricas. Todos introduzem um elemento...

lacan21 9 de novembro de 2019

A ambiguidade do despertar

Renato Pera. Artista Multimídia. “Sem título” São Paulo. Brasil. 2019 Sérgio de Castro - EBP-AMP Vamos examinar um dos sonhos inaugurais da psicanálise, o sonho com o filho morto e queimando, apresentado por Freud no último capítulo de A interpretação de sonhos. Trata-se de um sonho comentado por Lacan no Seminário, Livro 11, Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise, e de onde podemos retirar elementos cruciais sobre alguns pontos, em especial a angústia e o despertar. Tem-se ali um sonho de angústia, onde um pai, após permanecer ao lado do leito do filho moribundo por dias e noites seguidos, com...

lacan21 9 de novembro de 2019

De sonhos e despertares

Adolfo Ruiz Londoño. “Umbral”. Fotografía. NEL-AMP Marina Recalde - EOL-AMP Gosto muitos dos sonhos, talvez porque encontro neles, um ponto indomável que pode se esconder do outro. É como se algo da intimidade mais íntima estivesse fora do alcance. Inclusive do alcance de si mesmo. São os sonhos que nos outorgam múltiplas possibilidades de ser um e vários ao mesmo tempo, e não ter a obrigação de ficar em qualquer lugar e em nenhum lugar. Isso é algo que se pode constatar no livro Alice nos País das Maravilhas, de Lewis Carroll, completamente onírico, o que há pouco escutei de...

lacan21 9 de novembro de 2019

O sonho: um despertar possível

Gabriela Melluso. “Sem título”. Fotografia. Psicanalista. Argentina Andrea B. Perazzo - EOL-AMP Apresentação Estamos a menos de oito meses do acontecimento tão esperado por toda a AMP. Na semana de 13 a 17 de abril de 2020, no Hotel Hilton de Porto Madero da cidade de Buenos Aires, terá lugar nosso XII Congresso da Associação Mundial de Psicanálise, sob a direção de Silvia Baudini e Fabián Naparstek, acompanhados por uma Comissão Organizadora, que trabalha incessantemente e da qual tenho o prazer de fazer parte. Um Congresso é um Acontecimento, clínico, político e epistêmico, que se realiza a cada dois anos,...

lacan21 9 de novembro de 2019

Despertar do pesadelo

Thereza Salazar. “Aventura dos Corpos”. Projeto Vitrine. Recorte em feltro e vinil adesivo. São Paulo. Joaquín Carrasco - Associado da NEL Integrante do Observatório #2 - Legislação, Direitos, Subjetividades Contemporâneas e Psicanálise A inserção de analistas em instituições de saúde pública implica o desafio de constituir um lugar para o discurso analítico, ali onde imperam outros discursos. Trata-se de uma aposta constante para sustentar uma prática orientada pelos princípios e pela ética da psicanálise. Exemplo disso são os espaços institucionais criados para tratar os efeitos de acontecimentos que adquirem um caráter traumático. Estes dispositivos geralmente acolhem sujeitos que padecem da...

lacan21 9 de novembro de 2019

O sonho do Mont-Blanc*

Mónica Biaggio. “Nu”. Pastel sobre papel 1,20 por 0,80 2019. EOL AMP. Ludmila Malischevski - EOL-AMP Em 1975, por ocasião de uma supervisão pública em Genebra, Lacan supervisiona um caso em que ensina a ler um sonho. Trata-se de uma paciente feminista de 31 anos, que está há dois anos em análise, e seu analista. Nicos Nicolaidis se pergunta especialmente pelo que ocorre no décimo oitavo mês. A paciente sofre de insônia, “passa as noites em branco” e quer responsabilizar alguém por isso. Mostra-se agressiva com seu analista, com seu marido e com seu amante. Desde as primeiras entrevistas, informa...

lacan21 9 de novembro de 2019

A porta para um breve despertar

Dolores Amden. Fotografia. “Kinkaku-ji” ; nome informal do Rokuon-ji.Templo do jardim dos cervos. Em Kioto, Japão. Argentina. María de los Ángeles Morana - Associada da NEL  Borges sustenta que, nas narrativas de Ryûnosuke Akutagawa (1892-1927), é difícil “discernir com rigor, os elementos orientais e ocidentais”. Akutagawa era um apreciador do valor artístico da tradição literária japonesa, embora isso não impedisse que também fosse permeável à escritura do Ocidente. Por isso, ele foi impopular em sua pátria até que Akira Kurosawa, em um Japão destruído pela II Guerra Mundial e no qual as questões da verdade e da culpa estavam no auge,...

lacan21 9 de novembro de 2019

O impossível do sonho: resposta de Lacan a M. Ritter

Thereza Salazar. “Gesto II”, 2012, recorte em madeira, tinta industrial. São Paulo. Alma Pérez Abella –  EOL-AMP Perspectiva em Freud Sonhamos, queiramos ou não. Sonhamos para nos explicarmos o horror, para tecer sobre o indizível; por isso todas as culturas, em todos os tempos, deram um lugar aos sonhos. A novidade de Freud é que, desde o começo de suas investigações, utiliza os sonhos como via de acesso ao inconsciente. Nesse caminho, rapidamente tropeça com certo limite, limite a partir do qual, não se pode avançar mais, ponto no qual a interpretação se detém. O nome que ele deu a...

lacan21 9 de novembro de 2019

Sobre a interpretação na época do parlêtre

Mario Martínez. “Verão” Acrílico sobre fibrofacil. NQN. Argentina Alejandro Olivos - NEL-AMP  O umbigo do sonho é um furo. Tal é o título com o qual a revista La Cause du Désir reeditou a célebre resposta que Lacan deu, em 1975, a Marcel Ritter, em uma sessão preparatória para as Jornadas de Cartéis da EFP. A pergunta de Ritter versava sobre a noção freudiana de umbigo do sonho; o ponto onde o sonho é insondável, ou seja, o ponto onde o sentido, ou melhor, toda possibilidade de sentido se detém, o ponto em que o sonho está o mais perto...

lacan21 9 de novembro de 2019

Três perguntas aos sonhos do final. E mais uma.

Theresa Salazar. “Série Sortilégios” 4. Impressão s/ Alucobond. 2012. São Paulo. Dennis Ramírez Méndez - NEL-AMP Dalia Virgilí Pino - Ex-aluna do ICdeBA   “Esses sonhos que se obtêm particularmente no final de análise são sonhos que já não chamam ao deciframento nem esperam nada do Outro, mas que constatam: se desinvestiu, se soltou, se saiu...” Silvia Salman No dia 26 de março de 2019, Raquel Cors Ulloa testemunhou seu passe na EOL, Buenos Aires. Naquela noite, ressoou com força, seu sonho de final de análise: Na noite prévia ao pedido para a Secretaria do Passe/AMP, um pesadelo: estamos na...

lacan21 9 de novembro de 2019

Um pesadelo não é sem angústia

Theresa Salazar. “Demiurgo”. Desenho. São Paulo. Marta Goldenberg - EOL-AMP Analisante: “Tive um pesadelo, horrível, T e L caçoavam  de minha situação de aposentada, me sinto descartada”. Analista: pesadelo, em que se diferencia de um sonho? Analisante: “…se desperta com angústia, é horroroso...”. Mais adiante acrescenta: “…a vida é cômica porque cada um está com seu próprio delírio. Ao reler minha escrita vejo tudo isso e  rio-me desta coisa de novela de Alberto Migré…” Este é o  recorte de uma sessão que me levou a  pensar nas  diferenças entre um sonho e  o pesadelo, e este alívio que algumas vezes...

lacan21 9 de novembro de 2019