2019/Maio

EDITORIAL

Silvina Rojas – EOL-AMP

Uma vez mais, em sua particularidade, propõe um mergulho na temporalidade do século sob a luz da orientação de Jacques Lacan. As consequências do seu ensino se escrevem aqui como  bússola de leitura de uma civilização que cada vez mais  revela distintas formas de fazer presentes o ódio, a cólera  e a indignação nos acontecimentos do nosso século.

IX ENAPOL

Alcançar a vitória na derrota

Viviana Berger – NEL-CdMx-AMP

O argumento de nosso ENAPOL 2019 lança uma pergunta que me provocou. Diz o seguinte: “O ódio ao gozo do Outro é o que Lacan se refere como kakon. Seria, então, o ódio, um modo de constituir o Outro? Ainda que seja mediante sua exclusão?” A questão faz pensar na relação entre o ódio e o Outro, um Outro ao qual se apelaria…

Uma paixão, alguns efeitos

Andrea V. Zelaya – EOL-AMP

A subjetividade de nossa época se encontra sob o manto de um progresso universalizante da ciência, “estamos imersos nele, que se volta para nós de maneira cada vez mais determinante, o que significa causal”. Neste efeito de globalização que Miller denomina de “dispersão, dessegregativo”, vislumbramos…

Parla! A psicanálise e o silêncio das estátuas

Henri Kaufmanner – EBP-AMP

Ao nos falar sobre os afetos na experiência analítica, Miller, a princípio, se pergunta se poderíamos considerá-los, em si mesmos, um índice de que neles haveria algo que toca a verdade. Referindo-se a Lacan, em Televisão, ressalta que, para a psicanálise, é preciso verificar o que de fato seria o afeto…

OS DESAFIOS PARA A PSICANÁLISE

Pulsão de morte, motérialité do laço social

Jésus Santiago – EBP-AMP

violência e a segregação são fenômenos contemporâneos que assumem uma importância decisiva na nossa agenda atual de trabalho – Campo Freudiano Ano Zero – agenda às voltas com o princípio de que o psicanalista não é neutro nem indiferente ao campo da política. Eis o desafio com o qual…

Um racismo e o outro

Mauricio Tarrab – EOL-AMP

Não é sem uma certa inquietude que abordo este tema através de um parágrafo de Jacques Lacan do Seminário 18, para trabalhar um tema inquietante: “O racismo que me habita” *.
As nascentes que levam a interrogar o fenômeno do racismo…

É possível dignificar o gozo? “Fragmentos”: um desafio ético e político

Clara María Holguín – NEL- AMP

A indignação, índice da dignidade, nos introduz no campo do digno, e com isso, no registro da singularidade. Apoiando-me na proposta artística de Doris Salcedo, Fragmentos, criada no contexto do processo de Paz na Colômbia, me deixarei ensinar sobre um modo possível de dignificar o gozo…

A subversão da barbárie possível

Fernanda Otoni Brisset – EBP-AMP

A leitura de Lacan corrobora a constatação freudiana de que não encontraremos nos homens, a disposição “natural” de amar o próximo; ao contrário, frequentemente, tomam o próximo como um objeto, “alguém que os tenta a satisfazer sobre ele sua agressividade”. A separação entre “nós”/“eles” se autoriza dessa tentação…

O QUE ESTÁ CIRCULANDO SOBRE O TEMA?

O ódio, o ser e o saber

Alejandro Olivos – NEL-Santiago-AMP

O ódio é a mais intensa das paixões, afirma Jacques-Alain Miller, “o amor concerne às aparências, enquanto o ódio é mais radical: aponta ao ser”. É, com efeito, somente na dimensão do ser que se podem inscrever as três paixões fundamentais que são o amor, o ódio e a ignorância…

De amores e ódios

Marcela Fabiana Mas – EOL-AMP

As análises fornecem testemunhos de amores inesquecíveis, impossíveis, contrariados, incipientes, desgastados, proibidos, aquecidos pela paixão, etc. Fonte de sofrimento quando se perdem, tomam às vezes a forma de ódio corrosivo. A seguir, tentaremos situar porque o ódio se apresenta como o reverso do amor…

Parceiro Violência

Micaela Parici – Observatório sobre Legislação, Direitos, Subjetividades contemporâneas e a psicanálise

O que acontece em torno de uma “epidemia” como a violência chamada gênero convidou-nos a pensar no que esse nome do Universal não logra pegar da singularidade de um gozo mortífero, a partir de seu tratamento em dois âmbitos que pareciam apresentar-se como opostos e que convocavam uma mulher…

Sobre afetos e paixões

Gisèle Ringuelet – EOL-AMP

Durante décadas, alguns analistas omitiram falar das paixões por acreditarem que estas pertenciam ao registro do imaginário; outros tergiversaram sobre o conceito freudiano de afeto, como é o caso de André Green que o coloca como uma categoria metapsicológica . Porém, por sorte, ainda que poucos, abordaram de forma condizente, o tema…

O riso nos processos de segregação e os fanatismos – O humor vs. a zombaria (chacota)

Mariana Goméz – EOL-AMP

Entre o humor e a zombaria, ainda que o efeito seja o riso, há variações. Trabalharei aqui as tonalidades que pode haver entre o humor e os fanatismos, entre o humor e a discrepância das identificações e quando o riso se enlaça com a pulsão de morte. Para isso, tomarei o fenômeno do riso como eixo de articulação…

O falocentrismo e a lógica do grupo

Eliana B. Castro e Lenita Bentes – EBP-AMP

A posse do falo é determinada historicamente em diversas culturas como atributo do pai. Falamos de uma época onde o Outro não existe. O que quer dizer que o Outro como a verdade tem estrutura de ficção, mas, como provém da dialética do reconhecimento, parece deter as chaves do poder, o que condena o sujeito à caça do mais de gozar…

Da obscenidade da época ao ver o impossível e a indignação singular

Jessica Jara de Aguirre – NEL-AMP

Uma versão do declínio do Outro é o eclipse do olhar do Outro da vergonha. Assim, em tempos de fraternidade e do empuxe superegóico contemporâneo a gozar dando a ver tudo, as barragens freudianas para a pulsão – o asco, a vergonha, a moralidade – tem sido solapados…

Um esforço a mais para a indignação

Ana Cecilia González – EOL-AMP

Sociedade do espetáculo, do simulacro, da transparência, da vigilância, o olho absoluto… Autores e títulos se sucedem procurando captar as declinações contemporâneas do olhar, vertente privilegiada do objeto a no zênite da civilização.
Odiar é assunto de olhar. Disso dá conta a antiga e sinistra superstição do “mau olhado”, que não escapou a Freud…

Psiquiatras e psicanalistas na era de evidence based medicine

Elena Levy Yeyati – EOL-AMP

A corrente chamada de “medicina baseada em evidência” (evidência baseada em medicina: o EBM) foi descrita por Sackett e colaboradores nos anos 90, no Canadá. Devido à crescente e complexa massa informativa, a proposta inicial do grupo consistia em capacitar os médicos para uma leitura crítica…

Ódio, cólera, indignação em tempos de I.A.

Maria Bernadette Soares de Sant´AnaPitteri – EBP-AMP

Inteligência Artificial ocupa cada vez mais os humanos, tecnologia e ciência recebem somas vultosas para pesquisa e implementação. Há possibilidade de modelar uma paixão da alma como o ódio, ou afetos como cólera e indignação? China exporta softwares para espionar cidadãos, armas altamente destrutivas são programadas para longas distâncias…

A relação Escola/Instituto

Sobre a necessária delimitação e distinção entre Escola e Instituto

Guillermo A. Belaga – EOL-AMP

Sem dúvida, para as Escolas da AMP, “Campo freudiano, ano zero” significou o início de um período crucial e mobilizador.
Este texto de Jacques-Alain Miller, de 11 de junho de 2017, começa da seguinte maneira: “A psicanálise acabará por render as armas diante dos impasses…

COMENTÁRIOS DOS ESCRITOS E OUTROS ESCRITOS DE LACAN

Amor, saber e ignorância na “Nota italiana”

Alejandro Reinoso – NEL-AMP

Pode-se interrogar e investigar as paixões e afetos que convocam o próximo ENAPOL,“Ódio, cólera e indignação”, nos Escritos e Outros Escritos de Lacan de forma direta ou indireta, inclusive onde não há referência explícita a alguma delas. Tal é o caso da “Nota italiana”. Mas, por que ir a um texto como este,quando existem outros mais explícitos e ricos em referências? A “Nota” se encontra em uma serie de textos na seção V dos Outros Escritos que se dirigem à Escola…

O kakon generalizado

Antonio Beneti – EBP-AMP

O conceito de kakon foi utilizado por Lacan na Tese IV de seu texto de 1948 (pós-guerra), “A agressividade em psicanálise”, onde trabalha a questão da agressividade enquanto tendência correlativa a um modo de identificação narcísico…

O pathos do psicanalista

Silvia Salman – EOL-AMP

É uma frase extraída de “…o pior”, resenha do seminário 1971-1972. Ela assiná-la uma orientação que está no kern da experiência analítica e que pode ser um marco possível para tratar o tema de nosso próximo ENAPOL…