2020/Maio

EDITORIAL

Rômulo Ferreira da Silva – Diretor Responsável por Lacan 21

Queridos lectores,

Caros leitores,

Temos aqui, o número 09 da Revista LACAN XXI da FAPOL. Um número excepcional!
Convidamos os responsáveis pelas Jornadas locais do Continente Americano, que ocorreram no ano de 2019, para enviarem um único texto que refletisse o trabalho ocorrido em cada localidade.

TEXTOS ORIENTADORES

As Escolas e o Congresso da AMP

O silêncio do inconsciente

Nieves Soria – EOL – AMP

Miller se pergunta acerca do momento em que os oráculos calaram na antiga Grécia, situando um efeito similar a respeito do inconsciente na época atual. Caído o discurso do mestre clássico, vivemos numa época na qual escasseiam as formações do inconsciente, que se manifesta fundamentalmente como silêncio…

Atualidades das formações do inconsciente

Rolando Gianzone – EOL – AMP

Nos inícios de suas investigações clínicas, Freud examina os sintomas, os sonhos, os lapsos, os atos falhos ​​e os chistes. Encontra nesses fenômenos, aparentemente tão diferentes entre si, um efeito comum. Diferentes expressões do inconsciente que lhe deram indícios de seu funcionamento.
Freud toma o conceito de inconsciente da psicologia da época e o redefine…

A surpresa que perturba e anima

Ana Tereza Groisman – EBP – AMP

Escolhi começar com essa crônica, de Clarice Lispector, pela simplicidade e sofisticação que sempre encontro em seus textos, do que se passa no mais íntimo de nosso ser, nosso coração selvagem. Essa pequena crônica, a meu ver, retrata com precisão, o que poderíamos pensar como uma passagem de entrada no discurso do inconsciente, um retorno ao mais íntimo…

Dormir, sonhar, despertar, dormir…

Louise Lhullier – EBP – AMP

Durmo e desdurmo, diz Bernardo Soares, um dos heterônimos de Pessoa, no Livro do Desassossego. Se dormindo sonhamos, ao desdormir não é certo que despertemos. Despertar é um significante que acolhe muitas significações e sinônimos, tais como:  tirar do sono ou torpor, estimular, dar origem a, causar, acender, aguçar, animar, atiçar, induzir, instigar, reavivar, ativar, iniciar, provocar, excitar etc…

O que é o traumático?

Maria Eliane Neves Baptista – EBP – AMP

O trauma é, antes de tudo, um acontecimento imprevisto, insensato, que se instala a partir dos efeitos de sintoma e de gozo engendrados no corpo.
Freud trata da natureza do trauma em Estudos sobre a histeria  e, posteriormente, em Introdução ao simpósio sobre as neuroses de guerra.
Descobriu Freud, que a histérica sofria das reminiscências…

A EXPERIÊNCIA ANALÍTICA HOJE

Abusos

Monica Febres Cordero de Espinel – NEL – AMP

Para a construção deste texto, tomei os aportes das diferentes comissões que prepararam as Jornadas da NEL Guayaquil, em outubro de 2019: “Dos abusos ao abuso Tratamentos em psicanálise. O que se depreende como impossível: Governar, Educar e Psicanalisar”. Ao mesmo tempo, me detive em alguns dos textos que se apresentaram nas Mesas das Jornadas e que, a meu ver, mostram os desafios e ressonâncias da psicanálise em nossa época.

Que tempo para a psicanálise?

Graciela Bessa – EBP – AMP

Lacan aborda o tempo, a partir de um problema de lógica conhecido como sofisma dos três prisioneiros. É possível extrair três tempos distintos, desligados de uma cronologia: o instante de olhar, o tempo de compreender e o momento de concluir. Sob essa perspectiva, o tempo não é mais uma sequência de instantes em que é possível apreender um todo.  Dessa forma, Lacan subverte o modo como se regulava o tempo de duração de uma sessão analítica…

Saber fazer com a diferença

Carolina Puchet Dutrénit – NEL – AMP

Exerço minha prática clínica na Cidade do México, a cidade onde nasci. Cresci ouvindo dizer que ela é uma das maiores do mundo. Essa imensidão é, por um lado, inacreditável, porque é muito viva; é difícil ficar entediado porque acontecem coisas em diferentes níveis o tempo todo.  Há congestionamento de carros, uma inumerável oferta cultural, desportiva e de entretenimento. Mas, por outro lado, essa imensidão também significa viver com cautela…

Sonho e invenção

Laura Arciniegas S. – NEL – AMP

Que lugar para o sonho em uma prática orientada pelo real? Em uma prática que aponta a cernir o real do sintoma?
Em “O Ser e o Um”, Miller sublinha, em Lacan, a passagem do reconhecimento à causa, e o deslocamento que faz sobre o ponto de aplicação da prática analítica, do desejo ao gozo. “… há outro regime de interpretação…

Isso se goza

Gladys Martínez – NEL – AMP

Isso se goza é o sintagma que colocou a NEL-Cali a trabalho, em suas II Jornadas locais. Sintagma de muitas ressonâncias, pois diz respeito ao mais próprio de uma experiência analítica, mas também permite interrogar e ler os fenômenos de nosso mundo atual.
Para isso, teríamos que precisar, de entrada, que a noção de gozo, tema central…

PSICANÁLISE NA CIDADE

Solidão

Valéria Ferranti – EBP – AMP

Uma jornada implica um percurso e um percurso implica movimento. Para as IX Jornadas da Escola Brasileira de Psicanálise, Seção São Paulo, elegemos nos movimentar sobre a Solidão.
Nosso ponto de partida foi uma pergunta sobre o fazer psicanalítico no tempo que corre, no tempo da “desinibição do pior”, como escreveu Nuno Ramos. Pergunta que orientou a Diretoria a eleger o tema Segregação como eixo epistêmico para o biênio 2019-2020.

A questão trans e a psicanálise

Gabriela Spina – EOL – AMP

Em 1953, Harry Benjamin, endocrinologista alemão, radicado nos Estados Unidos, introduz o termo transexualidade e trata seus pacientes com hormônios.
Em 1955, surge o termo gênero, gender, graças a John Money, psicólogo e médico neozelandês, emigrado aos Estados Unidos. Para Money, gênero define o masculino e o feminino desde o cultural, além das diferenças biológicas…

Por um novo tempo de interpretar…

Analícea Calmon – EBP – AMP

Nos primórdios da psicanálise, a interpretação ocupou um lugar de destaque, ao modo de decifração, tendo como referenciais princeps, os sintomas e os sonhos.  Atravessando uma linha de tempo, configurada por 12 anos de experiência, os praticantes da psicanálise – seguindo a orientação de Freud – passaram a fazer uso do manejo da transferência, como modo clínico de produzir efeitos de interpretação…

O QUE ESTAMOS TRABALHANDO NAS ESCOLAS DA FAPOL.
TEXTOS ESPONTÂNEOS

Época e psicanálise. Um ponto de partida

Aníbal Leserre – EOL – AMP

Situamos o neoliberalismo como a força que se expande e determina as coordenadas da época. Um dos planos de fundo desta presença, ao nosso entender, é o debate sobre a aceitação ou rechaço a considerá-lo como o emergente do fim da história. É a “nova razão do mundo”, o único mundo possível? Um debate que não só se dá no plano das ideias, mas que se dá nas ruas e se expande em conflitos de intensas densidades.

A urgência de vida frente à guerra de facções

Jésus Santiago – EBP – AMP

Não é tarefa simples, no contexto atual do Brasil, fazer existir a psicanálise na política, com o tema da lei e da violência, considerando que não concebemos nossas atividades – seja o Fórum, seja a Conversação – como movidas pelo imediatismo e pela urgência de respostas aos graves acontecimentos políticos do país. Temos tomado os devidos cuidados e prudência para que a decisão relativa à cada atividade do La Movida Zadig seja objeto de um necessário…

A Psicanálise frente ao racismo

Liliana Szapiro – EOL – AMP

Amarás ao próximo como a ti mesmo. Freud transforma ironicamente esta sentença bíblica e nos coloca: “É precisamente porque teu próximo não é digno de amor, mas, pelo contrário, é teu inimigo, que deves amá-lo como a ti mesmo”.
Diz-nos Lacan, com relação à questão: […] cada vez que Freud se detém…

Olhe uma mãe

Osvaldo L. Delgado – EOL – AMP

Diante da perda de um ente querido, perdemos o lugar de falta que representamos para este. Nela não está em jogo só a dimensão de objeto a e no lugar do amado, mas também a de deixar de ocupar o lugar de ser uma falta.
Se o Outro está desaparecido, nem vivo nem morto, é impossível deixar…

A solidão da invenção compartilhada

Marcela Ana Negro – EOL – AMP

Uma massa pode erigir alguém como líder, colocando-o no lugar de seu ideal, de seu supereu ou como um “Nome”.  O que determina sua eleição? Ela está orientada pelo líder, pela massa, pela época? O condutor ocupa o mesmo lugar psíquico para todos e cada um dos que formam o grupo? A escolha que se leva a cabo propiciará, de alguma maneira, o tipo de relação que se estabelece entre os membros?

A Escola não é dessa época

Marlon Cortés – Associado da NEL – Medellín

Para pensar a época a partir do campo lacaniano, há uma frase muito citada: “Que antes renuncie a isso, portanto, quem não conseguir alcançar em seu horizonte a subjetividade de sua época. Pois, como poderia fazer de seu ser o eixo de tantas vidas quem nada soubesse da dialética que o compromete com essas vidas num movimento simbólico?”.

O mestre caprichoso e o analista em forma de a

Eugenia Molina – EOL – AMP

The Favourite, o filme de Yorgos Lanthimos (2018), retrata de forma magistral o mestre feminino: com o característico não-saber de todo de qualquer mestre, mas temperado pelo capricho amoroso. Mistura potente e feroz na hora de exercer o poder.
A rainha Ana, última monarca da casa dos Stuart, contava com seu braço direito e amante, Lady Sarah Churchill…

Algumas notas sobre a política atual da psicanálise na época

Cristina Califano – ELP – AMP

Sabemos que o psicanalista se confronta permanentemente com os novos desafios da época na qual está imerso. Nossa prática se encontra com situações que requerem inventivas cada vez maiores e aceleradas, assim como com a necessidade de sermos capazes de sustentar a prática sem perder nossa ética.
As mudanças políticas e sociais nos induzem a realizar uma profunda…

A prevenção, um sintoma da época

Nicolás Bousoño – EOL-AMP

Melhor prevenir que remediar. O refrão, condensação de séculos de sabedoria popular, toma hoje um novo lugar. Em uma época na qual se aspira a que tudo possa ser medido e calculado em prol da eficácia produtiva, a contingência torna-se uma ameaça. O acaso ineliminável da existência humana torna-se um risco que atormenta a frágil homeostase do homem moderno…

Serás o que deves ser?

Marcela Fabiana Mas – EOL – AMP

A época em que desenvolvemos nossa prática está marcada pelo vertiginoso. Trata-se de uma época em que a imagem vale mais que mil palavras e que, sem dúvida, se repete incansavelmente, ainda que fira o pudor, veicule a melhor das intenções (como fazer justiça), ou se utiliza de fins políticos.
Além da propensão ao máximo de produtividade, é necessário estar informado…

Dos universais feministas ao singular do sintoma

Graciela Allende – EOL – AMP

Nossa prática como analistas nos confronta a considerar a subjetividade da época para estarmos advertidos das identificações, ideais, significantes mestres e o gozo em jogo, posto que é com o que nos encontramos em nossos consultórios. O discurso psicanalítico se distingue de outros discursos porque podemos verificar que nem tudo entra na maquinaria da linguagem para o ser falante, que há um gozo que afeta o corpo e produz acontecimentos subjetivos…

Feminismo, sexualidade e psicanálise

Paula Gil – EOL – AMP

O feminismo denuncia uma profunda desigualdade de oportunidades sustentada por um imaginário social não questionado. Se na atualidade, se começou a colocar sob tensão, este imaginário, persiste a naturalização de certas situações cotidianas, sobre as quais, nem sequer se abre uma pergunta. O feminismo é a emergência voluptuosa do silenciado. Provoca ondas, move adesões e rechaços, mas, sobretudo, gera desconforto…

O Observatório sobre políticas do autismo como Ação Lacaniana*

Luciana Varela – Responsável da Antena La Pampa

Cada vez que se produziu uma crise no social, Lacan respondeu produzindo um ensino. O acontecimento de Vincennes  é de absoluta vigência. Ali, Lacan se pergunta: que disciplinas convêm aplicar à psicanálise?  Para o problema do autismo, convém aplicar a referência de Éric Laurent: “escolher a ´Causa do autismo´, […] é colocar a ênfase no autismo, como a causa digna…

Etiquetas vazias e infâncias transtornadas

Marcela Piaggi – EOL – AMP

A multiplicação de diagnósticos que na atualidade atravessam a infância foi consolidando tratamentos generalizados, endossados pela grande influência do discurso científico-tecnológico e baseados em protocolos e estatísticas e, inclusive, com frequentes indicações de psicofármacos. Vivemos uma época em que, por um lado, classifica-se com siglas que pretendem etiquetar qualquer mal-estar que subjaz na infância…

Outro uso da katana no século XXI

María de los Ángeles Morana – Associada da NEL – Cali

Para que o inconsciente cesse de não se escrever, requer de um “samurai”, um servidor, até o fim, até que o analisante consiga ver a cara real disso em que esteve preso durante todo o tempo. Um analista a serviço do desejo que permite a cada um, ir soltando-se daquilo que se eterniza como seu autômaton.
Samurai provém do japonês antigo saburái e, inicialmente, designava…

Surpresa e despertar

Maria do Rosário Collier do Rêgo Barros – EBP – AMP

Qual a função do sonho? Fazer dormir ou despertar?
O sonho preserva o sono, mas também esbarra em acontecimentos que fazem despertar. Há um despertar, para continuar embalado pelos elementos da fantasia em jogo no sonho. Mas o sonho não consegue evitar o encontro com o que ameaça a consistência…

O inconsciente e as novas formas de parentalidade

Gabriela Laura Basz – EOL – AMP

Na abertura das últimas Jornadas anuais da EOL, “Falemos do inconsciente, ainda…”, afirmei que cada Jornada anual é um novo encontro e uma forma de dar estrutura à memória coletiva que construímos como Escola. Estão presentes, então, o hábito, a periodicidade e também o novo, o desafio de abordar algo diferente a cada vez.  Neste caso, falar do inconsciente, nosso conceito fundamental…

Falar do inconsciente, ainda…?

Mónica Gurevicz – EOL – AMP

Ainda, falar do inconsciente? Pode surpreender alguns nessa época marcada pela “pressa”, “o novo do novo”, “a neurociência”, “a evidência”. Como difundir nossas Jornadas nos meios de comunicação se nos apresentou como um desafio. Como seguir falando do inconsciente, ainda…
Freud descobre o inconsciente ao escutar pacientes cujos corpos…

Rumo a uma psicopatologia não-toda

Ruskaya Maia – EBP – AMP

A teoria psicanalítica tem sua origem, na genialidade de Freud, para formalizar o que ele extraía de seu encontro com o paciente que, junto com seu sofrimento particular, traz sempre algo do mundo e de sua época, para o consultório do analista. Por isso, a psicanálise deve, necessariamente, atualizar suas ferramentas conceituais, para estar à altura dos desafios de seu tempo. É dessa forma, que concebemos que a clínica psicanalítica …

De um discurso sem sujeito. O ato analítico por oriente.

Alejandro Góngora – Associado NEL – Santiago

No presente artigo, interessa-me trabalhar uma orientação para nos aproximarmos ao que Lacan propõe como ato analítico, caracterizado por um revés com relação aos outros discursos, já que em seu ato prescinde de intencionalidade de um agente, estabelecendo-se como um discurso sem sujeito. Para isso, o conceito de Wu-Wai do taoísmo, o qual Lacan conhecia com bastante profundidade a partir de seus estudos de chinês…

Declínio do Pai, declínio viril: uma nova masculinidade?

José Luis Obaid – Associado NEL – Santiago

Na história da Humanidade, houve uma viragem em que a cultura patriarcal da proibição cede diante da cultura pós-patriarcal da permissão e da emancipação do sujeito, a respeito do despotismo, político ou religioso. Chegada mancomunada da ciência e do capital que, permeando as subjetividades, aposta por liberá-las, não somente da autoridade patriarcal,  mas também do que Freud chamou de “as servidões do eu”…

Que autoriza a ação analítica?

Luiz Felipe Monteiro – EBP – AMP

Esta é uma daquelas perguntas fundamentais com a qual o analista pode se confrontar a cada encontro contingente com alguém em situação de atendimento.
Quando esta situação ocorre em um contexto institucional, onde o significante da transferência não está antecipadamente atrelado ao significante que designa o analista, trata-se de uma pergunta ainda mais pertinente. Nesses casos, não há “ancoragem na suposição de saber…

O discurso analítico: uma pausa vivificante

Andrea F. Amendola – EOL – AMP

Nossa época está designada pela ascensão ao zênite do objeto a. O zênite retoma uma palavra que Lacan utilizou em Televisão para dar conta de que modo, em nossa modernidade, o objeto a foi elevado ao zênite social.
O zênite é proposto como o ponto mais alto que se pode localizar no céu…

Um psicanalista é um sinthoma

Alberto Murta – EBP – AMP

Será que podemos afirmar que há um declínio do discurso do analista na época do ultimíssimo ensino de Lacan? Há um declínio do discurso do analista na era do advento do sinthoma?
Abordar a função do analista, exige passar pela função do sinthoma, articulando função do analista e função do sinthoma…

A Mulher não existe

Andrea Vilanova – EBP – AMP

Como abordar este aforismo? Eu me perguntava sobre isso quando, então, o inesperado me fez uma surpresa. Caiu em minhas mãos um livro, do qual já nem me lembrava. Uma edição de 1991, realizada por Rose Marie Muraro, uma escritora feminista, com dedicatória e tudo! Tratava-se de uma reedição do Malleus Maleficarum, “Martelo das bruxas”, ou “Martelo das feiticeiras”, um manual de diagnóstico de bruxaria, publicado em 1487…

O cartel, enxame para uma Durcharbeitung dos impasses da época

Roxana Vogler – EOL – AMP

Os efeitos imaginários grupais que operam sob a lógica do todo produzem consequências segregativas. Lacan, advertido disso, oferece aos membros de sua Escola, o dispositivo de trabalho do cartel, no qual cada integrante se identifica com o lugar do trabalhador decidido, suscitando saber, mas a partir de uma posição analisante, remetendo o objeto causa a sua referência mais propícia, Freud e Lacan…

Invenção e tratamento do ódio no caso da jovem Maria

Angela Batista – EBP – AMP

Proponho pensar o tratamento do ódio em um caso clínico, onde é abordada a questão do ódio e o ilimitado do gozo feminino. Trata-se de uma jovem adolescente, onde vemos surgir impasses, oscilações e desligamentos do corpo e a incidência do ódio a si mesma.  Nesse sentido é que o ódio está ligado a um saber sobre o ilimitado do gozo diante do despertar sexual dessa jovem menina, na via da recusa de uma construção fantasmática…

Considerações sobre a noção de vítima

Joaquín Carrasco – Associado da NEL – Santiago

Em diversos pontos do mundo, podemos observar o retorno de discursos e políticas que pretendem restabelecer um Outro consistente. Uma das armas utilizadas tem sido a violência política, uma repressão sistemática que contribui para o enfraquecimento das democracias. Nesse contexto, sujeitos que padecem as consequências de experiências repressivas, tanto recentes quanto pretéritas, vão ao consultório e às instituições em busca de tratamento…

O maldito futuro

Irene Accarini – EOL – AMP

O presente trabalho aborda uma interrogação generalizada acerca do impacto da tecnologia e do mundo digital na infância através de uma experiência artística contemporânea, e as consequências da análise de um menino, para soletrar o espaço do mundo digital no consultório do analista.
As metáforas da inclusão-exclusão abundam no que se referem às novas tecnologias…

This is us: histórias a contar sobre adoções

Maria Rita Guimarães – EBP – AMP

Ao acabar de criticar o prêmio do Oscar 2020 conferido ao filme Parasita, Trump recebeu a resposta do estúdio realizador do filme: “Compreensível. Ele não sabe ler”.
Mas, desde as primárias das eleições que o elegeriam como presidente dos EUA, algo era escrito para que aprendesse a ler: uma América mista, miscigenada, múltipla, pobre e rica. “Isso somos nós”, uma dentre várias traduções possíveis para This is us…

Quando o amor é abuso: uma versão contemporânea do amódio

Maria José Gontijo Salum – EBP – AMP

Relação abusiva é uma designação largamente utilizada atualmente, para se referir a relacionamentos nos quais as mulheres se encontram às voltas com algum tipo de violência ou agressividade. Recentemente, o Ministério Público de São Paulo formulou e distribuiu nas vias públicas da cidade e nas redes sociais, a Cartilha “Namoro legal”, com o objetivo de intervir e prevenir a violência nas relações afetivas…

A POLÍTICA LACANIANA NA FAPOL.
“O CARTEL NA FORMAÇÃO DO ANALISTA DE ORIENTAÇÃO LACANIANA”

O cartel… ainda

Luis Tudanca – EOL – AMP

Existência e uso: a Escola
Há cerca de 17 anos, escrevi para “El Caldero de la Escuela”, um texto que intitulei “Razões”.
Partia de uma ideia: existe o cartel. Essa continua sendo minha orientação no tema, a partir da qual, recomeço.
As Jornadas Nacionais de Cartéis mostram a existência do cartel em nossa Escola…

COMENTÁRIOS DOS ESCRITOS E OUTROS ESCRITOS DE LACAN

Psicanálise e ciência: o desejo do analista

Maria Cecília Galletti Ferretti – EBP – AMP

Para Lacan, a psicanálise está em clara relação com sua época e isto, desde o seu surgimento: só poderia ter nascido após o aparecimento da ciência e da instauração do cogito por Descartes. No texto dos Escritos, “A ciência e a verdade”, ao circunscrever como tema, o objeto da psicanálise, Lacan retorna a pontos fundamentais do conhecimento científico: para o nascimento de uma ciência, é preciso a localização de seu objeto…

Incidências da psicanálise no porvir: renovar a aposta

Ricardo Seldes – EOL – AMP

Kierkegaard se perguntou em suas “Migalhas filosóficas”, se era necessário o futuro. E se respondeu pela negativa: nenhum devir é necessário, nem antes que se torne, porque então não poderia tornar-se, nem depois que se tornou, já que então não haveria se tornado. Em uma seguinte reflexão, situaremos uma pequena diferença. Aí onde ele escreve a questão da liberdade, nós situaremos a contingência. Afirmamos que todo devir acontece por contingência…

AGRADECIMENTO

Agradecemos especialmente à Mónica Biaggio, por autorizar a publicação de sua obra ¨Buscando a parte perdida¨, como capa do N° 9 de nossa Revista, assim como sua colaboração em vários números anteriores de nossa publicação. Psicanalista da EOL e da AMP, aproxima para nós, generosamente, a arte e a psicanálise.

Cada uma das obras publicadas nos têm permitido verificar que o que surge do vazio, pode chegar a ser poemas sem palavras.

Agradecemos também, a generosa colaboração de:

Marcelo Veras – Psicanalista – EBP – AMP   |  Thereza Salazar – São Paulo – Brasil   |  Beth Barone – São Paulo – Brasil   |  Katia Wille – Rio de Janeiro – Brasil   |  Sergio de Campos – Psicanalista – EBP – AMP   |  Alejandra Koreck – Psicanalista – EOL – AMP   |  Lisa Erbin – Psicanalista – EOL – AMP   |  Graciela Allende – Psicanalista – EOL – AMP   |  Liliana Zaremski – Psicanalista – EOL – AMP   |  Dolores Amden – Psicanalista – EOL – AMP   |  Nicolàs Bertora – Psicanalista – IcdeBA UNSAM