2018/Outubro

EDITORIAL

Cristina González de Garroni  – NEL-AMP

O nascimento da Psicanálise precipitou-se graças ao interesse que suscitou em Freud, o encontro com as histéricas, que denunciavam, com seus sintomas, um mal estar inerente ao seu lugar como mulheres na sociedade vitoriana, mas, muito especialmente pondo no olho do furacão, a sexualidade como ponto de origem das neuroses, quer dizer, dando à sexualidade, um caráter traumático.

O Sexo na Psicanálise

Viva a metáfora!

Osvaldo L. Delgado – EOL-AMP

Interessa-me fazer uma referência ao texto de Byung-Chul Han, A agonia do Eros, especialmente ao capítulo em que ele trabalha a pornografia.

A esse respeito, temos que assinalar duas questões muito importantes que Han postula. Uma delas é o conceito de “empresário de si”, que leva à exploração de si mesmo. Podemos coincidir com isto – com o que o discurso capitalista coloca em jogo –, mas com o que não podemos coincidir é que isto anula a luta de classes.

Freud e o gênero fluido

Comentário sobre Algumas consequências psíquicas da diferença anatômica entre os sexos

Gustavo A. Zapata M. – NEL-AMP

Os primeiros anos da década de 20 foram, para Freud, de revisões e reformulações de seu trabalho prévio, especialmente uma renovação na exploração do continente negro da sexualidade feminina. Havendo encalhado no rochedo da castração que se encontra no final do drama edípico, Freud adianta a tese de que o desenvolvimento sexual continua depois do que chamou de fases pré-genitais.

Turba e turbantes

Marcus André Vieira – EBP-AMP

Há algum tempo, uma situação delicada ocorrida no metrô de São Paulo causou intenso debate, rapidamente deixado para trás.

Uma moça branca, usando turbante, foi interpelada por outra, de um pequeno grupo de mulheres negras. Seu uso do adereço seria equivocado por ser reivindicado como insígnia de uma história negada, a dos negros no Brasil em sua relação com uma África originária. A resposta da moça foi imediata: usava turbante por estar com câncer e careca por efeito do tratamento.

A distribuição sexuada no seminário 20 de Lacan

Silvia Elena Tendlarz – EOL-AMP

Lacan aborda as identificações sexuadas no Seminário 20 através das fórmulas da sexuação que tiveram um tempo de desenvolvimento conceitual antes de serem nomeadas como tais. Ele fala, primeiro, de “identificações sexuais” ou “fatos de discurso”, depois de “valores sexuais produzidos pelo discurso”.

Sexo: uma escolha

Sônia Vicente – EBP-AMP

As modificações culturais da contemporaneidade caracterizadas pela queda do falocentrismo, pelo modo atual de uso dos semblantes, aliadas a ascensão dos objetos pela universalização do mercado em conjunção com a ciência, são decisivas na construção da subjetividade de nossa época.

Ler Lacan, e “ainda”

Patricia Tagle Barton – NEL – AMP

Não foi Freud quem enunciou – temerariamente – lá no início de “nossos tempos”, os da psicanálise, que a criança era um “ perverso polimorfo”? O que significa dizer que não há nada, no “programa” da vida humana, que oriente o desejo nem o gozo sexual, nada. Exceto, talvez, um pai?

A quarta externalidade na clínica contemporânea

Rômulo Ferreira da Silva – EBP – AMP

Gostaria de avançar em direção ao que Jacques-Alain Miller apontou como a quarta externalidade, a sexual, que o sujeito experimenta na relação com o sentimento de vida. Sobre ela, Miller diz: “Não há vida sexual típica. Vocês poderiam fazer uma lista de certas experiências estranhas na vida sexual…”…

As ressonâncias das Jornadas de nossas Escolas sobre o tema dessa Revista

A Sexuação e a identificação, entre discórdias e crenças

Irene Kuperwajs*EOL-AMP – Gabriel Racki*EOL-AMP

A convocatória das XXVII Jornadas da EOL “A Psicanálise e a Discórdia das Identificações. Vínculos, Crenças e Nomeações” pode ser lida à luz do tema proposto, nesta ocasião, pela Lacan XXI. 

O lugar do falo na sexuação

Angela C. Bernardes – EBP – AMP

Uma das entradas possíveis no instigante tema do XXII Encontro Brasileiro do Campo Freudiano “A queda do falocentrismo: consequências para psicanálise” é, justamente, pela questão da sexuação tal como…

Transmaternidade gay?

Marcela Almanza – NEL-AMP

O tema das próximas Jornadas da NEL – Que mães hoje? Vicissitudes na experiência analítica – nos conduz a introduzir a questão do materno e do “ser mãe” a partir das perguntas que a prática analítica mesma nos vai colocando desde as análises que conduzimos, não sem deixar de contemplar que nossa prática se insere nas particularidades de uma época que assinala mudanças profundas na família em nível de sua estrutura, componentes e estilos de vida, ali onde o império do pai declina e a ascensão da maternidade contemporânea adquire novas formas.

Mais sobre o sexo na Psicanálise…  

Sexo e sexuação

Ronald Portillo – NEL-AMP

Freud sempre teve presente que, em relação à sexualidade, encontrava-se algo situado mais além da aparência do biológico. Já desde o ano 1924, a partir de seu artigo “O declínio do Complexo de Édipo”, deu a conhecer sua opinião: o sexo a ser assumido pelo menino ou pela menina …

Intersexualidade, a anatomia é o destino?

Nestor Yellati – AME, EOL-AMP

O transexualismo coloca uma situação limite no que se refere à posição sexuada do falasser: o sujeito assume seu sexo em oposição a sua realidade anatômica. Isso pode levar a modificá-la mediante diversos meios, desde hormonais até cirúrgicos, nos casos extremos.

Identidade e Interpretação das modalidades de gozo da época

Mirta Zbrun – EBP-EOL-AMP

A partir da pergunta sobre o modo como um grupo se forma e sua capacidade de exercer influência na vida dos sujeitos, Freud em “Psicologia das Massas e a Análise do Eu” (1921) pensa que a pulsão, através do amor

O QUE NÃO SAI DE NENHUMA PALAVRA

Débora Nitzcaner – EOL-AMP

Um jornal de Buenos Aires publicou recentemente um artigo jornalístico sob o título “Género. O feminismo também conquista e desafia a língua quotidiana”, no qual se apresentam, a modo de glossário, novas formas de um dizer…

O trans não é um dizer

Eliana Amor – (Observatório Gênero, Biopolítica e Transexualidade – EOL)

Dizer homem ou mulher não basta para nomear o real do sexo, já que se trata de semblantes. Dizer que são dois sexos e os supor a partir dos órgãos genitais produz uma confusão de que a anatomia é o destino. Nos anos 70, com as fórmulas da sexuação, Lacan formaliza a função fálica em duas lógicas diferentes…

O Acontecimento Butler: uma questão de escritura

Solana González Basso – (Observatório Gênero, Biopolítica e Transexualidade – EOL)

Há toda uma história quanto ao modo como que nós analistas abordamos o acontecimento Judith Butler. A bússola habitual foi o contraponto em torno de suas elaborações da identidade. Leio nisso o que  Ansermet 1 interpela como “o desejo do clínico e sua preferência pelo semblante”…

TEORIAS DE GÊNERO – UTOPIA DO ILIMITADO

Esteban Klainer –  EOL – AMP

O propósito deste artigo é assinalar alguns aspectos das denominadas teorias de gênero que podem colaborar para pensar o seu debate com a psicanálise. Muitas das elaborações feitas a partir de nosso campo sobre este tema…

IDENTIDADE E SEXUAÇÃO NA ATUALIDADE

Paula Husni – EOL-AMP

Gérard Wajcman afirma que a hipermodernidade é a instauração de uma civilização do olhar, na qual se reúnem a sociedade da vigilância e a sociedade do espetáculo: “Entramos na era das águias…

AS INFÂNCIAS TRANS E A PSICANÁLISE

Patricio Álvarez Bayón – EOL-AMP

Historicamente, a psicanálise tem apoiado e compartilhado seu caminho com o movimento LGBT e o feminismo. Freud foi o primeiro a fazer a distinção entre o sexo anatômico e o psíquico, e foi um inspirador fundamental daquilo…

LEI E HOMOSSEXUALIDADE NO CHILE

Carlos Barría Román – Associado NEL-Santiago – AMP

Este trabalho forma parte de um ateneu de investigação na sede NEL-Santiago,que se constituiu a propósito de nossa participação no Observatório de biopolítica, gênero e transsexualismo…

QUATRO PONTUAÇÕES PARA UM DEBATE COM O MOVIMENTO FEMINISTA UNIVERSITÁRIO NO CHILE

José Luís Obaid Pizarro – NEL-Santiago-AMP

A conjuntura nacional instala no seio do debate público um significante que irrompe como novidade, apesar de ter uma longa trajetória dentro dos movimentos sociais, culturais e artísticos em todo o mundo: o feminismo

“…Que o real esteja ancorado”!

Carmen Silvia Cervelatti – EBP – AMP

Eis um apelo em relação ao real! Solto, ele acarreta estragos. No Seminário 19, Lacan fez esta afirmação relacionada às relações entre os sexos e suas diferenças.  A função Φ x é um modelo que permite fundamentar algo diferente do semblante…

Ser sexuado no século XXI: O que há de novo?

Blanca Musachi – EBP – AMP

No início do século XIX, Sigmund Freud pôs a investigação psicanalítica a serviço de uma definição ampliada da sexualidade humana, considerando a importância do gozo sexual independente da reprodução, o que é possível constatar…

PER-VERSÕES CONTEMPORÂNEAS: BILLONS

Camila Candioti – EOL-AMP

Na tela, a cena começa com uma pessoa deitada no chão, com os pés e mãos atados, com uma mordaça na boca; a respiração está acelerada e o olhar ansioso procurando… não se sabe o quê.

HISTÓRIA DO PASSE NA NEL

HISTÓRIA DO PASSE NA NEL

María Cristina Giraldo – AE da NEL e da Escola Una – AME NEL-AMP

O comunicado do Secretariado do Passe da AMP – em 27 de abril de 2016 – sobre a minha nomeação pelo Cartel do Passe da EOL como AE da Escola Una na NEL, teve o estatuto de um acontecimento imprevisto. Uma surpresa que produziu uma descontinuidade no autômaton e que em parte fez uma questão, em relação a se seguíamos nos considerando uma Escola em formação, que foi como iniciou a NEL. Embora soubéssemos o que é a política do Passe, desde sua proposição até agora para a Escola Lacan, operava a ficção de que a mesma guiava as outras Escolas da AMP, mas não a NEL. Isso nos deixava em condição de não ser uma Escola sujeito de direito. Assistíamos as mesas do Passe dos Congressos da AMP e as das Jornadas de outras Escolas, com o testemunho de seus próprios AEs, como um acontecimento inexistente no horizonte da NEL.

COMENTÁRIOS DOS ESCRITOS E OUTROS ESCRITOS DE LACAN

O que é o que é?

Lucíola Freitas de Macêdo – EBP- AMP

De início, é preciso dizer que “O aturdito”, escrito no qual encontramos a frase em epígrafe e objeto deste comentário, data de 14 de julho de 1972. Quando escreveu esta contribuição ao 50º aniversário do Hospital Henri-Rousselle, Lacan recém havia concluído as aulas do Seminário 19 ou pior, onde encontram-se, passo a passo,  diferentes desdobramentos concernentes às elaborações de “O aturdito”.

OS IDEAIS DO SEXO

Claudio Godoy – EOL-AMP

Em seu escrito de 1964, Posição do inconsciente, Lacan reelaborava sua intervenção durante o colóquio de Bonneval dedicado ao inconsciente freudiano…

Sexuação e contingência

Ricardo Aveggio – NEL-Santiago-AMP

A eleição desta epígrafe recolhe uma pista que me orientou ante o tema da revista e as perguntas que o tema me suscitou…